

A história do polonês que com pouco dinheiro e muita determinação realizou o sonho de assistir todos os jogos da Copa do Mundo apitados dentro do estádio do Maracanã
"Eu decidi que meu objetivo seria aprender português e ir para o Rio de Janeiro na Copa do Mundo de 2014!"
Tony Kososki



Personagem
Entrevista
Covilhã: o primeiro destino
Gdansk: a terra natal

Maracanã: o sonho da Copa

O blog: Vai lá, cara!
Rio de Janeiro: a cidade maravilhosa


Boleia: uma boa opção

Filosofia Backpacker


Álbum de fotos






Ser um viajante é bem mais do que ser um turista, é quase uma filosofia de vida. A cultura backpacker, ou "cultura mochileira", é mais que sair pelo mundo com uma mochila nas costas. A ideologia não está no tipo de bagagem que você carrega. Ser backpaker (mochileiro) é experimentar, desbravar, descobrir.
O viajante backpaker acredita na responsabilidade do cidadão global. Não é preciso levantar nenhuma bandeira para se construir uma sociedade melhor. Os backpakers acreditam que é possível construir uma sociedade mais humana, com pessoas com mais visão de mundo e com cabeças mais saudáveis.
O bom viajante encara sua viagem como uma grande oportunidade de descobertas, aprendizado e autoconhecimento. Tudo isso, é claro, temperado com bastante diversão, aventura, emoção e muito calor humano.


Passagens para o céu!
Na década de 90 a triste realidade polonesa não dava grandes perspectivas para ninguém. Não havia lugares para jogar futebol como as crianças têm hoje, não havia computadores, até mesmo telefones celulares, mas nesse tempo todo mundo sabia onde encontrar seus amigos. Apenas uma bola, no valor de alguns "zlotych" (moeda polonesa), era suficiente para abrir um sorriso em nossos rostos. O coração e a vontade eram suficientes para tornarem um jogo comum em algo especial!
A primeira vez que eu prestei atenção no evento mais importante do nosso planeta foi na copa de 2002. A Polônia estava no grupo com Portugal, EUA e Coreia do Sul. Infelizmente nós não avançamos de fase e nossos sonhos foram mortos ainda na fase de grupos. Finalmente, na final a Alemanha foi espancada pelo Brasil, em seguida todo mundo queria jogar como Ronaldo. Um amigo meu até fez um penteado como o dele.
Quatro anos mais tarde a Copa “veio” para os vizinhos a oeste da Polônia. Vivendo apenas a 500 km de Berlim, onde foi a partida final, eu achei que não podia ir até lá - era muito longe ... mesmo se eu tivesse esse evento na minha cidade eu não iria a lugar nenhum por ser "longe demais, caro e ser uma coisa que eu não posso pagar ".
Finalmente 6 anos mais tarde veio a magia de 2012 e fui para Portugal para Erasmus. Conheci milhares de pessoas incríveis de todo o mundo, fizemos festa, viajamos, nos divertimos juntos e, finalmente, eu decidi que meu objetivo seria aprender Português e ir ao Rio de Janeiro para a Copa do Mundo em 2014! Eu tinha um pouco menos de 2 anos para tornar esse sonho verdadeiro. Hoje meu pai me convenceu a comprar meus ingressos e em junho VOU PARA O RIO DE JANEIRO!! E se 10 de janeiro a FIFA me aprovar como voluntário ... bem - Eu estarei no céu. Se não - eu posso comprar um bilhete, ou "pelo menos" sentir este ambiente fantástico em todos os lugares ao redor de mim, na capital do futebol com meus melhores amigos brasileiros!

"Passagens para o céu" (Tickets to heaven!) é uma adaptação do primeiro texto de Tony sobre sua viagem ao Brasil.
O texto original foi postado no dia 06/01/2014 em seu blog 'Vai lá cara!'. No mesmo dia em que Tony comprou sua passagem para o Brasil.
por Tony Kososki
Esta é a história do voluntário polonês que atravessou o oceano atlântico para, no futuro, contar aos netos que assistiu a final da Copa do Mundo de 2014 no país do futebol.
Em agosto de 2012 ele saiu da casa dos pais para fazer uma viagem que mudaria sua vida. Na época, ele embarcava em um avião para estudar Engenharia Eletromecânica em uma pequena cidade no interior de Portugal. O que era para ser apenas 6 meses de intercâmbio acabou se prolongando em 2 longos anos de muito aprendizado.
Certo dia ele e seus amigos foram para estrada em busca de novas aventuras na boleia de motoristas portugueses. A partir daquele momento, viajar se tornou um vício e desde então nunca mais ele tirou o pé da estrada.
Com o dinheiro que economizava da bolsa como estudante viajou por quase todo o continente europeu em busca de novas histórias. Com papel e caneta na mão ele escrevia o nome do seu destino e esperava até o momento em que fosse apanhado por alguém na estrada.
O baixo orçamento nunca foi um grande problema. A passagem de ida o aguardava no banco ao lado de um motorista solitário. O céu estrelado o aguardava acima de onde estivesse montada sua tenda, quase sempre localizada no alto de uma montanha ou na orla de uma praia. Além disto, a tecnologia sempre o ajudava a conhecer novas pessoas que o ofereciam um sofá e uma boa comida em troca de boas conversas sobre a vida.
Aos 21 anos ele carrega uma bagagem dentro de si muito maior que a mochila que leva nas costas. Entre tantas idas e vindas ele aprendeu a respeitar o próximo, ser uma pessoa mais leve e positiva. Ele acredita que para todos os problemas existem soluções e que os sonhos não são impossíveis.
Sua coragem e determinação permitiram que ele realizasse um sonho de menino: assistir aos jogos do mundial no Brasil. Depois de muita economia e planejando ele conseguiu assistir todos os jogos da Copa de 2014 dentro do Maracanã.
Apesar de não gastar nem um centavo pelos ingressos, engana-se quem pensa que a realização deste sonho não teve seu preço.


A história
Para se contar uma boa história o autor precisa se apropriar de certos artifícios para prender a atenção de seu leitor, então, como narradora personagem que sou, resolvi abrir um espaço para apresentar meu personagem principal em primeira pessoa.
Meu nome é Ana Clara Macedo, sou uma das idealizadoras do projeto #MídiaTrans. Conheci o personagem desta história em setembro de 2012, durante um intercâmbio em Portugal. Bem ali, na pequena cidade de Covilhã, localizada no interior do país, nascia uma grande amizade entre uma brasileira e um polonês.
Seu nome verdadeiro é Przemek Sleziak ,mas ele se apresenta a todos como Tony Kososki. Até hoje não entendo o motivo deste heterônimo, mas de qualquer modo Tony é mesmo um nome mais simples de se pronunciar.
Na época em que nos conhecemos, Tony tinha o cabelo curto na frente e alguns dreads compridos na parte de trás. Um estilo um pouco irreverente comparado aos padrões estéticos brasileiros pelo qual eu estava acostumada.
Mesmo com as dificuldades impostas pela barreira linguística e todas as diferenças culturais, nos tornamos grandes amigos e vivemos grandes aventuras juntos.
Em junho deste ano, o Tony veio ao Rio de Janeiro para trabalhar como voluntário na Copa. E para que eu pudesse contar a história dele a vocês fui encontra-lo na cidade maravilhosa. Na ocasião aproveitei para matar aquilo que conhecemos como SAUDADE.



Tony nasceu em Gdańsk, uma das mais belas cidades da Polônia. A cidade, que fica no Mar Báltico, desempenhou uma importante função na história mundial, especialmente no século XX.
O local foi um dos principais pontos de conflito da Segunda Guerra Mundial. A cidade portuária de Gdansk foi o berço do Sindicato Solidariedade, que reivindicou, pela primeira vez, a liberdade de expressão dos trabalhadores, na "Cortina de Ferro".
O fim do comunismo ainda é muito recente na história do país. Apenas em 1989, a Polônia conheceu mudanças radicais no panorama político.
O país ainda vive os reflexos deixados pelo comunismo no processo de transição para o capitalismo. Apesar das dificuldades, a economia do país tem crescido, em média, 4,5% ao ano, mas problemas, como o desemprego e a perda de direitos sociais desagradam a população.

Situada na encosta da Serra da Estrela, a maior cadeia de montanhas de Portugal continental, a cidade de Covilhã é muito conhecida por sua tradição têxtil e pela forte cultura universitária.
Desde 1986 a Universidade da Beira Interior atrai estudantes de todas as partes do país e do mundo. Estima-se que cerca de 7 mil pessoas estude hoje na instituição.
E foi ali, na pequena cidade de Covilhã, o lugar onde tudo começou. Em agosto de 2012 Tony pisava pela primeira vez em terras lusitanas para viver uma aventura que marcaria sua história pelo resto de sua vida.
Cercado por portugueses, espanhóis, turcos, brasileiros, romenos, italianos, franceses, thecos e poloneses, Tony fez muitas amizades. Dentre todas as nacionalidade que ali estavam uma das coisas que mais chamava sua atenção era a alegria do povo brasileiro.
Apesar de todas as barreiras culturais e linguísticas Tony fez muitas amizades entre os brasileiros e decidiu que em 2014 iria para o Brasil na Copa. Sendo assim, ele prolongou seus estudos em Portugal, aprendeu o idioma e se inscreveu para ser voluntário pela FIFA.




Em polonês ela é conhecida como AUTOSTOP. Em inglês é conhecida por HITCHHIKING, No Brasil conhecemos por CARONA. E no bom e velho português ela é a BOLEIA.
Não importa o nome que ela tenha, a prática é universal. Apesar de ser considerada um pouco perigosa nos dias de hoje, ainda tem muita gente que arrisca esse tipo de viagem se aventurando pelas estradas.
Além dos benefícios para o meio ambiente, a boleia é um dos meios mais baratos de se viajar. No Brasil e em vários outros países do mundo a prática da "carona solidária" já é muito comum. Há vários aplicativos e grupos em redes sociais onde as pessoas combinam a data, a hora e o destino da viagem. Na maioria desses casos quem oferece a carona pede uma pequena quantia em dinheiro ao "caroneiro" para ajuda nos gastos com o combustível.
Mas são poucos os que se aventuram a ir para a beira da estrada no modo tradicional. A ideia de passar horas a espera da boa vontade de um motorista totalmente desconhecido não é muito atrativa. Além disto, é preciso ter muita paciência e determinação neste tipo de viagem.
O que pode ser motivo de problemas para uns é a solução de outros. E com caneta e papel na mão este foi o modo que Tony encontrou para conhecer novas pessoas e viajar pelo continente europeu.
Tony conta que a sua primeira experiência na estrada não deu muito certo. Nos primeiros meses do intercâmbio ele e alguns amigos decidiram sair de Covilhã com destino a cidade do Porto, cerca de 250 Km de distância. Eles se dividiram em dois grupos e foram para a beira da estrada com suas placas. Depois de muita espera eles conseguiram chegar até uma cidade bem próxima do ponto de partida, mas não avançaram dali por diante.
Em outra situação ele e um amigo tiveram que passar a noite em um posto de combustível e também não conseguiram chegar ao destino final. De tanto insistir ele acabou descobrindo os segredos: escolher pontos estratégicos, ter paciência e não desistir. Também é recomendável que o viajante tenha sempre um pouco de comida e água em sua mochila.

Os mapas a seguir são algumas das rotas planejadas por Tony em viagens feitas apenas através de boleias. A viagem mais longa feita até hoje foi de Gdansk (Polônia) até Nemru (Turquia).
Tony viajou mais de 30 mil Km pela Europa!
Sem dúvida nenhuma, a maior recompensa na vida de um mochileiro está nas pessoas que ele encontra em seu caminho. Por isso, convidamos você para mergulhar nas memórias do nosso amigo viajante.
Mova as fotos com o mouse e se divirta montando um álbum da sua maneira!
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Para compartilhar suas experiências com o mundo, Tony resolveu criar um blog. O incentivo veio de um grande amigo que ele conheceu durante o intercâmbio.
No blog ele conta como foram todas suas experiências na estrada. No momento Tony tem dedicado seus post's ao Mundial de 2014, contando como está sendo sua experiência como voluntário da FIFA.
O único problema é que Tony escreve tudo em polonês. Quem não entende o idioma precisa usar alguma ferramenta de tradução para entender o conteúdo. O único conteúdo em português é o nome do blog: Vai lá, Cara!
No vídeo Tony conta a razão pela qual escolheu o nome do blog e o motivo pelo qual optou em escrever os textos apenas em polonês!
Ainda tá curioso para conhecer o blog? Então acesse:
http://vailacara.wordpress.com/
ou
https://www.facebook.com/vailacara?fref=ts
Conhecida como cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro é a cidade brasileira mais conhecida no exterior. Referência no turismo internacional, é considerada umas das cidades mais belas do mundo.
Famosa por suas belezas naturais, o Rio já inspirou milhares de artistas. Seja na música, nas novelas ou nos filmes, a imagem que temos no senso comum é sempre aquela imagem mais romântica da cidade.
Lembramos sempre das belas praias, do Pão de Açúcar, do Cristo Redentor, de Copacabana, do estádio Maracanã, da Lagoa Rodrigo de Freitas, e por aí vai. E muita gente se esquece que o Rio não se limita apenas a zona sul.
Há outras belezas escondidas em outros lugares e quem enxerga essas outras maravilhas do Rio é só aquele que quer ver. O Tony é uma dessas pessoas. Para ele a beleza do Rio está nas coisas mais simples da vida.
Vai lá, cara!
Em menos de 1 mês no Rio, Tony já se apaixonou pela cidade. E sabe do que ele mais gostou? Da vida na favela!
A simplicidade e espontaneidade das pessoas o encanta. Até mesmo um bate boca entre vizinhos é motivo de registro para o nosso viajante.

Quer saber qual é a beleza do Rio para o Tony?
Ele registra tudo na câmera de seu celular. E nós compartilhamos essas fotos com vocês!
Para ver a galeria de fotos é só clicar nas setinhas!


Design e texto:
Ana Clara Macedo
Produção:
Ana Clara Macedo
Brunner Macedo
Marcos Reis
Orientação:
Gerson de Sousa
Mirna Tonus
#MídiaTrans
#Mídia Trans - Quem era o seu time favorito para ganhar a final?
Tony - Essa é uma pergunta difícil. A Copa começou muito bem, foram muitos gols e jogos muito interessantes. Desde o início tentava encontrar uma equipe para torcer, mas para dizer a verdade, sou polonês, e a Polônia está dentro do meu coração. Passei dois anos em Portugal, mas não senti nada. Sou o tipo de pessoa que sempre torce para as equipes mais fracas. Então, quando a Alemanha jogou contra a Argélia, eu torci para Argélia. Quando Argentina jogou com a Suíça, eu torci para a Suíça. Quando o Brasil jogou com o Chile, eu torci para o Chile, mesmo que eu quisesse ver o Brasil jogando na final contra a Argentina. Esta seria a final das finais no Maracanã!
#MídiaTrans - O que você sentiu quando entrou no Maracanã pela primeira vez? Qual foi a sensação naquele momento?
Tony - A primeira vez que fui ao Maracanã foi no dia 9 de julho. Eu tinha acabado de chegar de São Paulo, eu e minha amiga, que me recebeu aqui no Rio, fomos no estádio para pegar o uniforme, os documentos de identificação e também para conhecer a área do trabalho. Sensação? É difícil para explicar, era o meu sonho vir para o Brasil. Há dois anos, eu havia trabalhado na Euro 2012 ( a Copa da Europa), e já havia conhecido arenas muito grandes. Claro, o Maracanã é demais! O estádio tem capacidade para 75000 pessoas, isso impressiona. Eu quase não podia acreditar que eu estava lá. Eu, com apenas 21 anos, estudante da Polônia, bem pobre realizando meu sonho.
#MídiaTrans - Quais foram os aspectos positivos e negativos da sua experiência como voluntário?
Tony - Positivo? Vi todos os jogos, até mesmo a final. Isso, na verdade, já “mata” todos os aspectos negativos. Mas houve aspectos negativos, e eles estavam todos relacionados com a organização. O primeiro e mais importante foi o dinheiro. Eu cheguei aqui com o meu próprio dinheiro, ninguém pagou meu avião, ninguém me ajudou a encontrar uma casa. Se não fosse pela ajuda de um amigo brasileiro eu gastaria todo meu dinheiro só para arranjar um lugar para dormir. A FIFA disse que pagaria as despesas de transporte e alimentação. A comida eles deram só durante os jogos, quando estávamos trabalhando. O ônibus? Chega a ser engraçado! Ganhamos um cartão com 60 reais, só para chegarmos ao estádio para trabalhar. No inicio, eu achava que os 60 reais eram até o próximo jogo. Então, em 3 dias eu gastei 30 reais. Normal, eu queria conhecer a cidade, não queria ficar em casa. Perguntei a eles quando me dariam o próximo cartão, eles disseram que aquele era o cartão para o mês inteiro. Bem vindo a vida criada pela FIFA! Finalmente consegui mais 60 reais, mas tive que quase lutar por isso.
As roupas que eles nos deram eram mais ou menos. Por ser muito quente no Rio não ganhamos casacos. Em São Paulo e em Porto Alegre os voluntários ganharam luvas e bonés. Sei que o Rio é quente, mas as noites eram um pouco frias, mas a FIFA queria poupar mais dinheiro. A capa de chuva que nos deram era boa, mas o tênis era fraco, não tinha ventilação. Os pés depois de 10 horas de trabalho estavam mortos. Apesar de ser adidas, o material é de terceira categoria, qualquer de qualquer maneira gostei deles.
Quando pessoas trabalharam na Copa na Europa, ganharam bilhetes para todo mês, ganharam mais roupas, ganharam outras coisas. Pensei que se trabalhamos de graça, se pagamos tanto dinheiro para chegar aqui, pelo menos vamos ganhar coisas uteis e com qualidade. Muitos voluntários também ficaram zangados por isso.
Não foi tão legal ver todos os jogos sempre, alguns foram chatos. No jogo Bélgica x Rússia eu estava quase dormindo, França x Equador se passaram 70 minutos e nada aconteceu. Mas finalmente, posso dizer que realizei o meu sonho, o sonho da cada criança, da cada pessoa que gosta futebol. Vi a final da Copa do Mundo, e não foi só uma final. Foi uma final aqui, no Brasil, no Maracanã, no país do futebol, no templo do futebol.
#MídiaTrans - O que mais chamou sua atenção no estádio?
Tony - Os torcedores. O jogo podia ser até fraco, mas as pessoas sempre faziam os melhor delas. Na verdade, sempre penso como é possível que eles tenham que pagar por ingressos? Sem essas pessoas a Copa não seria nada! Eles fazem tudo. Gritam depois ou gol, ficam tristes quando perdem uma oportunidade. Cores, bandeiras, amizade, sorrisos, fé, isso é tudo!
#MídiaTrans - O que você achou do mundial no Brasil? Como você vê a organização e a recepção dos brasileiros para a Copa do Mundo?
Tony - No inicio eu vi que quase nada estava preparado. As obras do Itaquerão, em São Paulo, foram concluídas uma semana antes dos jogos começarem. O metro no Rio não funcionava até dois dias antes primeiro jogo. Foi visível que acidade precisava ter se preparado melhor, mas é sempre assim, nada fica concluído 100%. Tinha muita polícia na cidade, então me senti seguro aqui. Eu só ficava pensando no que acontecia no Rio normalmente, se agora tinha tanta policia com tantas armas para fazer segurança. No início também vi os protestos, e em BH pareciam ser bem fortes.
#Mídia Trans - O que você achou da vitória da Alemanha?
Tony - Acho que Alemanha foi a melhor equipe dessa copa. Desde o início mostraram que estavam bem preparados, era uma seleção que jogava em equipe, sem jogadores "estrelas". O mesmo podemos dizer sobre a Holanda, eles também eram os melhores candidatos para uma final, mas acabaram não conseguindo. Acho que no jogo com Brasil, com a vitória de 7x1, a Alemanha mostrou a diferença entre o nível de experiência de seus jogadores. O Brasil jogou um futebol muito aberto com eles, e isso não podia acabar bem.
A equipe brasileira foi montada com jogadores muito jovens, o Neymar de 22 anos não era capaz ainda de levar o Brasil ao fim da copa. Ele jogou melhor do que eu pensava, isso foi um ponto forte para a equipe, mas ainda é muito novo. Isso não muda o fato que no meu opinião, o Brasil pode ganhar a Copa de 2018. Até lá os jogadores vão ganhar experiência, vão jogar mais unidos, os jogadores mais fracos vão estar diferentes. Acho que o Hulk não fez nada durante a Copa, o Fred também não. Muitos jogadores mostraram muita emoção. Foi muito triste ver David Luiz e Thiago Silva chorando. Eles quiseram mesmo fazer o melhor pelo Brasil e por isso não gosto que todo mundo fale mal da seleção. Os jornalistas só sabem falar de como eles sairiam derrotados.








Foto: Tony Kososki
Foto: Ana Clara Macedo
Foto: Przemek Sleziak
Foto: Przemek Sleziak
Foto: Przemek Sleziak
Foto: Przemek Sleziak
Foto: Ana Clara Macedo
Foto: Ana Clara Macedo
Foto: Ana Clara Macedo
Foto: From Wikipedia, the free encyclopedia
Foto: Pedro Cairo
Mas a Copa do Mundo foi uma coisa maravilhosa. No fim, tudo foi bom, e acho que o povo gostou. Nas favelas as ruas estavam todas pintadas de verde e amarelo. Quando o jogo começava, todo o Brasil parava. Foi incrível andar no centro da cidade e ver que pessoas em todos os lugares estavam assistindo o jogo, no comércio, na farmácia. Foi uma experiência realmente muito boa! Acho que copa foi muito boa e interessante. Fiquei muito feliz por ter participado da criação deste evento.

















































